Júlia Borboleta

Quando me disseram que eu era talhada para aquela personagem não percebi. Depois, quando comecei a trabalhar nela fui percebendo. Ela era uma menina, uma criança como eu. Só que, como eu, vivia para os seus sonhos e se há coisa que eu me orgulho é de viver para os meus sonhos! A Júlia Borboleta lutava por eles como eu e várias vezes se desiludia e dava tropeções. Eu, como a Júlia Borboleta, ando sempre às cabeçadas, não é defeito, é feitio. Por querer demais os meus sonhos, por lutar demais por causas que a mim me fazem sentido. Tantas vezes me dou mal... juro que por várias vezes tentei pensar 10 vezes antes de agir mas na luta o meu instinto é mesmo agir antes de pensar. E continuarei sempre aos tropeções e cabeçadas pela vida fora, a armar-me em Joana d'Arc e a morrer queimada em 1001 fogueiras que me preparam. Se eu fosse matreira saberia passar-lhes ao lado mas vou sempre ter com elas porque acho que a razão e o coração têm mais força que o fogo, mesmo que ele seje atiçado pelos tantos Diabos que andam pelo Mundo. Pensando bem não sei se quero ser matreira, "antes morrer de pé que viver de joelhos" e lá no fundo eu sei que os meus sonhos não são em vão, que um dia todos os que lutam pelos mesmos sonhos que eu vencerão e mesmo que seja num dia longínquo eu sei que terei ajudado a tal feito. Porque os Diabos pensam que os nossos sonhos são utopias mas eu sei que o sonho comanda a vida e eles não sabem nem sonham isso! Por agora, e sempre, continuo por esta estrada por este caminho, sempre lado a lado com os meus, às cabeçadas e tropeções, mas vou andando p'rá frente porque não há fogueira que queime os meus sonhos! Se ser Júlia Borboleta é ser assim então eu acho que sou.